Publicado por: matecomangu em: novembro 30, 2011
É papo de velho, mas a cada ano que passa o tempo parece andar mais
rápido. Ontem mesmo passamos uma sessão cineclubista carnavalesca,
crítica e cheia de novidades. E num delírio catapultávamos filmes ao espaço
na sessão do mês passado. O Mate é uma teia onde filmes que navegam
perdidos no espaço vão parar. E desse encontro misterioso vamos inventando
conclusões, cenários particulares do que é o audiovisual independe nacional.
Podemos dizer que surgiram filmes curtos mais longos. Filmes rompendo a
barreira dos 20 minutos, o que há alguns anos era considerado sacrilégio.
Os tempos dos filmes também se dilataram, planos longos tencionando a sede
por um corte que salve.
As próprias sessões mateanas parecem que teve seu tempo dilatado – esse ano exibimos três longas metragens nas sessões regulares de quarta, coisa que nunca tínhamos feito. E outra: filmes baratos. Obras, que, se não foram feitas sem orçamento (qual filme é?), custaram 5%, 10%, do valor de um longa de mercado. Provando que dá pra fazer um cinema mais sustentável e menos deslumbrado. Ou seja, o Mate exibiu três longas porque estão começando a fazer longas com a cara do Mate. Eita.
Outro desenho que vem assim na cabeça é que os filmes parecem que estão
perdendo o medo da ficção, da invenção. Um cinema desvinculado da sociologia
dos editais e da lógica do marketing empresarial; um Cinema sem rancor com
muita coisa pra mostrar sem intelectualizações bestas. Um cinema da ação e
não da reflexão (a reflexão tá na ação!). Um Cinema que parece ser a aurora
de uma estética popular. Direta, sem atravessadores. Que não vê oposição entre
a experimentação e o popular.
2011 ano foi o ano também que caiu a ficha de que os Festivais de Cinema não dão mais conta da produção do país. Mesmo. Se antes toda curadoria era predatória, hoje ela é um ponto de crochê. Um recorte no mar gigantesco de produções. Recorte esse, que pode ser sofisticado ou criminoso. Dar o recorte nos dias de hoje é um profissão perigosa.
Na noite de hoje, mais um recorte. Imperfeito, infiel, torto, extrato. Mas vistoso,
saboroso, nutritivo. Filmes curtas longos, pra dilatar a mente e o coração, para
uma nova possibilidade de mundo.
PROGRAMA
“Recife Frio”, de Kleber Mendonça Filho
Cor, 35 mm. 23 min, Documentário
, 2009, PE
A cidade brasileira de Recife, que já foi tropical, agora é fria, chuvosa e triste, depois de passar por uma desconhecida mudança climática.
“Dias de Greve“, Ardiley Queiroz
Cor, 35mm, 24min, Ficção, 2009, Ceilândia – DF
Uma greve de metalúrgicos tem início em uma cidade nos arredores de Brasília. Muito mais do que o despertar para uma consciência de classe, os grevistas redescobrem uma cidade que já não lhes pertence.
“ACERCADACANA”, de Felipe Peres Calheiros
20′, cor, Doc, 35mm, 2010 – PE
Os anos 90, com a valorização do etanol e a expansão do latifúndio canavieiro, 15 mil famílias foram expulsas dos seus sítios na zona da mata de Pernambuco. Maria Francisca decidiu resistir.
“Salomé”, de Fernando Gerheim
[20 min | HD | cor | fic | COPACABANA - RJ]
Com Marcela Moura, João Velho, Alexandre Dacosta e Rodrigo Lacerda
Participações especiais: mona Rubi e mona Estefani
Um exemplar do baixo surrealismo. Um cruzamento de Georges Bataille com Zé do Caixão. Cinema marginal digital. O defeito de fabricação da indústria dos sonhos. O vídeo pensa o cinema. Tecnoartesania ou morte.
Lavagem, de Shiko.
[20 min | HD | cor | fic | Brasil]
COM: MARIAH TEIXEIRA, TAVINHO TEIXEIRA, OMAR BRITO E JOÃO FAISSAL
Quando o disco da Xuxa gira ao contrário, não se assuste, muita coisa pode acontecer.
“Ensaio de Cinema”, de Allan Ribeiro.
Com: Gatto Larsen e Rubens Barbot
Cor, HD/35mm, 15min, Ficção, 2009, RJ
Ele dizia que o filme começava com uma câmera muito suave, com um zoom muito delicado, e avançava em busca de barbot.
Publicado por: matecomangu em: outubro 26, 2011
É isso, camaradas: mais um outubro dedicado a lançamento de filmes no terreiro audiovisual do Mate Com Angu – u-hú e evoé!
E com isso mil reflexões, um milhão de questionamentos, um bilhão de poréns, mas sempre com a certeza de que é na ordem do fazer que a gente vai construindo alguma coisa melhor dessa vida
louca nesse planeta estranho.
Não é à toa que a sessão tá linkada na Seda, Semana do Audiovisual-RJ, braço ponta-firme do Circuito Fora do Eixo, iniciativa que vem tesudamente experimentando caminhos novos e
reconfigurando ideias não tão novas. O momento líquido atual pede ação ousada e essa malucada de todos os cantos do país vem mostrando que responsabilidade não precisa de sisudez e que Arte
e Economia podem conviver de boa nesse novo modelo de Ação Cultural. Subvertendo; inovando; recriando. Humanizando.
E não importa se muitos ainda insistem em dividir o audiovisual brasileiro entre os que são do Estabelecido e os que se auto-proclamam o Novíssimo Cinema – a cada dia uma Onda vigorosa vem crescendo, absorvendo, e mais filmes tem surgido com força pra levar as dicotomias limitadoras pra bem longe, dinamitando rótulos castradores. O mundo é grande, rapá.
E pensar que os filmes lançados no Mate sempre têm dado sorte em suas caminhadas mundo à fora… Que continue assim!
Então aproveite essa cauda de cometa e viaje com os filmes da sessão; aproveite também o show e a festa para deixar a alma levitar pelos novos rumos que têm se apresentado no horizonte. Enquanto houver maluco fazendo filme é porque a coisa tem jeito.
Abraços ba-lançantes
Cineclube Mate Com Angu
9 anos catapultando sonhos
Publicado por: matecomangu em: outubro 24, 2011
“Salomé”, de Fernando Gerheim
[20 min | HD | cor | fic | COPACABANA - RJ]
Com Marcela Moura, João Velho, Alexandre Dacosta e Rodrigo Lacerda
Participações especiais: mona Rubi e mona Estefani
Um exemplar do baixo surrealismo. Um cruzamento de Georges Bataille com Zé do Caixão. Cinema marginal digital. O defeito de fabricação da indústria dos sonhos. O vídeo pensa o cinema. Tecnoartesania ou morte.
Imagem: Eduardo Gripp, Marcão Oliveira e Rômulo Fritscher
Montagem: Fernando Gerheim, Marta Luz e Pedro Bento
Trilha sonora: Fábio Bola
Animação 3D: Luis Dourado
Muiraquitã e prótese de adamantium: Franklin Cassaro
“Somos Todas Vadias”, de Luisa Godoy Pitanga
[6 min | HD | cor | doc | COPACABANA - RJ]
um filme-protesto #marchadasvadiasrj
Câmera: Luisa Godoy Pitanga e Du Freire
Edição: Josinaldo Medeiros e Luisa Godoy Pitanga
“Cânticos”, de Angelah Dantas e Eliandro Martins
[15 min | MINI-DV | cor | fic | ARARUAMA - RJ]
Com: Alexandre Marinho
Núcleo Experimental de Cinema Operários da Arte
Em uma época em que todos os homens vivem à sua maneira as adversidades e as misérias do mundo, um homem se entrega a verdade. Baseado no livro Cânticos de Cecília Meirelles
Roteiro: Angelah Dantas e Eliandro Martins
Figurino: Perla Duarte
Costureira: Luzinete Martins
Fotografia e Edição: Eliandro Martins
Produção Executiva Christiane Moreira e Thiago Barros
Nêgo, Marcelo Coutinho
[7min | HD | cor | DOC | PARAIBA]
realização: mundano / tomada única filmes
e quando fura o pneu do dia? trilhas sacodem o celular e o prego chama o herói da madrugada. o olho da motocicleta avisa que nêgo se aproxima, cheio de truques pra remendar a sola da borracha ferida. látex costurado com fios de parafernália.
produção, direção, roteiro e montagem: marcelo coutinho
produção e assistente de direção: diego benevides
direção de fotografia e som: diego benevides / luís barbosa / marcelo coutinho
trilha sonora: ubella preta
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“Hearts Out – Corações Para Fora”, de Igor Cabral
[11 min | 35MM | cor | fic | EUA]
Elenco: Fabrícia Miterhof, William Rodriguez, Hanna Winter
O mistério do amor pulsa, e após o veneno ele vai além do inesperado.
Direção, Fotografia e Montagem: Igor Cabral
Coreografia: Fabrícia Miterhof
Direção de Arte: Sabrina Bitencourt
Gaffer: Mauricio Saules Salgueiro
Operadores de Câmera: Guy Davies, Igor Cabral, Azim Moollan
Assistentes de Câmera: Azim Moollan, Roberto Caliman
Maquinista: Raghul Sridharam
Som: Noha El Ostaz
Produção: Igor Cabral
Da Maior Importância, de Tiago Aragão
[13 min | HD | cor | fic | BRASILIA - DF]
COM: Gabriel Ferreira Mesquita, Lucas Farage, Ana Rabelo, Bruna Seixas e Rodrigo Belluco..
Da epifania de lapsos criativos, Estela e Flavio se conhecem.
Ficção, Cor, Digital.
Duração: 12:05.
Ano de Produção 2011.
Estado: DF
Produção: Ana Rabelo.
Roteiro: Tiago de Aragão.
Fotografia: Kate Riedlsperger.
Montagem: Tiago de Aragão.
Som: Camila Machado.
Assistência de Direção: Anderson S. Vieira
Platô: Lucas Farage
Direção de Arte: Márcio Henrique Carvalho
Colorista: Ico de Oliveira
Still: Pedro Stoeckli, Márcio Henrique Carvalho e Lucas Fara
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Lavagem, de Shiko
[20 min | HD | cor | fic | Brasil]
COM: MARIAH TEIXEIRA, TAVINHO TEIXEIRA, OMAR BRITO E JOÃO FAISSAL
Quando o disco da Xuxa gira ao contrário, não se assuste, muita coisa pode acontecer.
direção de fotografia BRUNO DE SALES
direção SHIKO
direção de arte GIGABROW
som direto GUGA S. ROCHA
montagem SHIKO / BRUNO DE SALES / DANIEL MONGUILHOT
produzido por DRICA SOARES / BRUNO DE SALES
produção executiva ANA BÁRBARA RAMOS
argumento e roteiro SHIKO / BRUNO DE SALES
trilha sonora CIBORGUE MORENO / GUGA S. ROCHA
figurino ANA ISAURA NOGUEIRA
edição de som BRUNO DE SALES
desenho de som, mixagem e efeitos sonoros GUGA S. ROCHA
colorista DANIEL MONGUILHOT
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+ filme surpresa!!!
seleção de Filmes Arrebatadora!!!!
e ainda falta confirmar um filme.
Publicado por: matecomangu em: outubro 24, 2011
Após a Sessão Catapulta 2011 vai rolar do Caô de Raiz!
Pra quem não conhece ou pra quem quer matar saudades, aqui vc pode escutar as músicas: http://tramavirtual.uol.com.br/cao_de_raiz Além dos trabalhos novos, vai rolar clássicos do repertório da banda.
E olha os malucos em ação:
Publicado por: matecomangu em: outubro 17, 2011
Publicado por: matecomangu em: outubro 6, 2011
Hoje é dia de Buraco Cavernoso, o entrevistado da vez é o cineasta, diretor teatral, escritor e provocador cultural Marcus Faustini.
Ao vivo, diretamente da Febf / Uerj Baixada, onde o bagulho tá efervescente à vera.
Perde não, cumpadi! Às 19hrs, a AnguTV transmite.
Publicado por: matecomangu em: outubro 4, 2011
Publicado por: matecomangu em: setembro 27, 2011
A droga se tornou um “problema” de 100 anos para cá, pois já é lugar comum afirmar que a droga faz parte da história da humanidade”
Gilberta Acselrad, coordenadora do Núcleo de Drogas, Aids e Direitos Humanos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
CINEMA QUATRO E VINTE
Nesta próxima quarta feira a Lira de Ouro voltará a receber uma sessão matiana daquelas de fritar o cerébro, de cutucar a alma e provocar o coração para disparar contra a inércia e a monotonia que é vendida em 12 prestações sem juros. Quebrando paradigmas, o Mate Com Angu exibe o terceiro longa consecutivo em sua sessão master prime. “Cortina de Fumaça”, de Rodrigo Mac Niven, nos leva a uma jornada esclarecedora sobre as drogas, em especial a maconha. Planta mágica que viveu seu inferno astral durante o século 20. É impressionante a quantidade de informação que o filme nos joga na cara em uma hora em pouca de projeção. Filmaço, que esbanja sede pela informação que comprove o quanto a sociedade foi estúpida, escrota e vil com essa cósmica planta dos deuses.
GANJAH!!!
CORTINA DE FUMAÇA
Rodrigo Mac Niven – 2010 – 88 min – VOSTF
Roteiro: Rodrigo Mac Niven
Edição: Rodrigo Mac Niven
Fotografia: Rodrigo Mac Niven
Som: Dan Eisenberg, Analog Drink e Solarium Dubfamily
Produtor : Rodrigo Mac Niven
Co-produção: J.R. Mac Niven Produções e TVa2 Produções
Sinopse: O filme Cortina de Fumaça coloca em discussão a política de drogas vigente no mundo, dando atenção às suas conseqüências político-sociais em países como o Brasil e em particular na cidade do Rio de Janeiro.
Através de entrevistas nacionais e internacionais com médicos, pesquisadores, advogados, líderes, policiais e representantes de movimentos civis, o jornalista Rodrigo Mac Niven traz uma nova visão neste início do século 21 que rompe o silêncio e questiona o discurso proibicionista. Um documentário sobre um tema polêmico que precisa ser debatido de uma forma honesta.
Sessão Cortina de Fumaça – Cinema Quatro e Vinte
Local: Sociedade Musical Lira de Ouro
Hora: 20:30h
digratis
Endereço: Rua Sebastião de Oliveira, 72 (Paralelo à Nilo Peçanha)
Centro – Duque de Caxias – RJ
Contato: 21-7202-8957 / 8596-8492 / 7601-6700
Publicado por: matecomangu em: agosto 30, 2011
Existe um tipo de cinema que pouco se faz no Brasil, um tipo de cinema popular e autoral. Um cinema…
Bem, com os estudiosos do cinema, temos os filmes intelectualizados, de arte, que propõem a experimentação na linguagem; comandando a massa, temos os filmes-programas-esticados-de-TV, que têm o suporte vultoso da indústria de massa do Brasil, tomando mafiosamente conta dos espaços com conteúdos descerebrados e vazios de qualquer sentido. Temos também os favela-movies, que viveram o auge na decepcionante redenção do Capitão Nascimento, do competente Tropa de Elite 2, – um cinema popular de fato. De autor? O tempo dirá. - filme policial, embalado em uma danosa e superficial justificativa, sociológica e acadêmica, de buscar compreender o Brasil.
Falta um cinema mais liberto de tantas pretensões, um cinema que não seja filho das universidades, que não seja filho da tv e que não seja filho da sociologia. Faltam filmes antropofágicos e sem preconceito, filmes como “Mangue Negro” de Rodrigo Aragão. Filmaço produzido de forma independente no Espírito Santo. Com determinação, suor e alguns litros de sangue artificial, Rodrigo produziu um feito, um marco, um filme cheio de inventividade e tesão. Sem apoio estatal. Feito na porrada.
Produzimos, em sua maioria, um cinema sem heróis, um cinema que parece ter medo da ficção, da fantasia, da aventura, do pop e do rebolado. Um cinema que hesita levar o espectador pra longe. É mais fácil viajar numa conversa de botequim, do que vendo um filme brasileiro. Por quê?
Talvez esse cenário venha do modo do Brasil encarar a cultura. Onde o artista é colocado com pires na mão. “Justifique sua obra“, pergunta-caô que exige resposta-caô. O que justifica um filme é o fogo no coração. O Estado como produtor, mesmo com toda a preocupação de buscar a diversidade, impõe sim, uma perspectiva da história que é contada.
Mas fogo no coração não coloca comida dentro de casa. Será? Sim, cinema é também uma arte industrial, que precisa da ajuda do Estado. Mas mais do que produzir, o Estado precisa dinamizar. A sede de audiovisual no Brasil não cabe mais em edital que premia 20 curtas por ano. Esse modelo já era. Está tudo distorcido. Hoje em dia o Mate Com Angu disputa grana pública com a Rede Globo. Não é uma maluquice? O cinema hoje não cabe mais na fôrma – é uma panela de pressão. A democratização da produção chegou com a tecnologia digital, falta agora democratizar a economia. Que tal abrirmos um banco? É preciso criar uma nova dinâmica econômica para o cinema brasileiro. Uma economia descentralizada e diversa. É preciso Criar, ser criativo nos modelos de negócio! E os fazedores de filmes são os maiores responsáveis dessa construção. Suportes como a internet, as salas independentes de cinemas, as lan-houses e os camelôs têm que ser considerados. É preciso estar atento pra não levar um caldo e perder o bonde da história. Sejamos novos de fato!
E voltando a provocação inicial… Um viva ao cinema escapista brasileiro!
Abraços fortalecedores,
Cineclube Mate Com Angu
O cerol fininho da Baixada
PROGRAMA MALDITA FÁBULAS! – Um Viva ao Cinema Fantástico.
Quarta, 31 de agosto 2011 · 20h30min
No Bar do Luís (em frente à Lira de Ouro) Rua Sebastião de Oliveira, 72 (paralela à Nilo Peçanha), Centro – Duque de Caxias – digrátis!
Mangue Negro, de Rodrigo Aragão
Terror / 2008 / 105min / Digital / Espirito Santo – BR
Após o filme, Festa Groove com DJ CAVACANTI.
A Decomposição é Inevitável!
Cinema brazuca, na veia!
Publicado por: matecomangu em: agosto 24, 2011
Enquanto correntes tentam cercear a liberdade na Internet e com isso frear as possibilidades abertas de radicalização da democracia, várias mobilizações contrárias estão bombando essa semana. Internet, Comunicação, Cultura e ativismo embolados pra tentar ampliar os caminhos pra transformação.
Vamo que vamo!
Hoje, quarta-feira, 24/08/11
Acontecendo agora Seminário sobre Segurança Digital e Cidadania no plenário da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara Federal.:
Transmissão ao vivo em: http://migre.me/5yiuW
Revolução 2.0: da Crise do Capitalismo Global à Constituição do Comum
A partir das 14h no Auditório João Alberto Lins de Barros, prédio do CBPF
Rua Lauro Müller, 455 – Botafogo, ao lado do Campus da Praia Vermelha
http://www.ppgci.ufrj.br/acontece/seminario_internacional/
Transmissão ao vivo em: http://itv.cbpf.br/
No Facebook: http://www.facebook.com/event.php?eid=122474051182104
Gilberto Gil e Lawrence Lessig no Ibirapuera, em Sampa
Transmissão ao vivo em: http://is.gd/kxGemG a partir das 19h15min
Quinta-feira, 25/-8/11
Pierre Lévy e Gilberto Gil no Oi Futuro
Transmissão ao vivo em: http://www.oifuturo.org.br/
Amanhã e sexta:
As Redes e a Rua – Comunicação e Democracia , na UFF
http://redeserua.blogspot.com/
Transmissão ao vivo em: www.uff.br/webtv
Pelo Twitter fique ligado nas hashtags #CulturaDigital #Meganao #AI5digital
Se você usa Gmail veja esse arquivo com explicações detalhadas sobre o perigo da Lei Azeredo:https://docs.google.com/a/idec.org.br/document/d/1pEmLTAhFVQ_z7pUt3nV96bMHLKVjieJZQSAwUX0GJtk/edit?hl=pt_BR
Para entender a discussão sobre Marco Civil na Internet: http://culturadigital.br/marcocivil/sobre/
Publicado por: matecomangu em: agosto 23, 2011
Uma noite em companhia das curupiras, dos lobisomens, vampiros, sácis e da antropofagia zumbi.
Publicado por: matecomangu em: julho 27, 2011
Nove anos… Caraca, 9 anos!! Nove intensos anos de Cinema, amizade, estudos, realizações e criação de caso – é o Mate Com Angu na área, cineclube barulhento da porra.
9 anos, nove luas, nove meses de gravidez, nove buracos no corpo humano, nove dedos do Lula, o eneagrama dos sábios da Pérsia, o Corredor X do Speed Racer, o clássico Plan Nine, do Ed Wood…
A soma dos componentes dos múltiplos de nove, resulta no numero nove. Muita coisa pra dizer e o tempo urge. E quando a gente vê, estamos aqui de novo em noite de festa.
E com felicidade explosiva de estar comemorando o aniversário da melhor forma possível: lançando filmes e fazendo festa. Fazendo música, jogando bola…
E lançando filmes com toque especialíssimos: pratas da cidade, caxienses mundiais, antenados, inquietos e com tesão de primeiro filme na direção. Na direção do infinito.
Um deles, O Vento Forte do Levante, traz ainda por cima a figura inspiradora de Solano Trindade, um cara incrível que sonhou muito e lutou por um país melhor; pôs na poesia a dor e a delícia que ainda não tinha sido dita com o toque talentoso da Poesia viva. E um cara que viveu em Caxias, cidade onde produziu obras primas, onde bebeu cerveja com o povo, onde trouxe vários intelectuais para dar uns bordejos nas quebradas, onde curtiu o carnaval da Cartolinhas, morando na mesma rua que o Seu Hélio Cabral, outro cabra da peste bom de arte e ação.
Enfim, Solano é nós.
Embora, passados mais de 50 anos do poema, ainda tem gente passando fome; o trem hoje é mais limpo, mas ainda se dá chicotada no povo, herança maldita de um tempo que teima em querer não morrer.
Mas há gente que não desiste nunca, pois é feita de matéria solana e deliciosamente brasileira, tateando novos caminhos, na luta diária, mas sem esquecer o poder da festa, da kizomba, do mosh e da Arte.
É isso… 9 anos e o Mate continua cheio de nove horas, todo prosa, assim como a gente escrevia lá atrás: na fé, na humildade, da moral. Cultura para uma melhor digestão.
Afinal, é sempre bom ter os amigos por perto, portanto vida longa aos novos cinemas nascentes e viva a alegria! Partiu comemorar?
Abraços novísticos,
Cineclube Mate Com Angu
o cerol fininho da baixada
——-
Sem fome e famélicos…Quem dera que a nossa fome fosse exterminada do mesmo jeito que exterminamos nosso tédio ocasional com um mate gelado e um angu tenro e terno…
O poeta está vivo e hoje nem estou falando do Cazuza, tou falando de um que está mais pra preto velho, ou preto zuza…ZUZUBEM….
Solano vem solando as calçadas cheias de chafariz(chafarizes? Torto feito nariz de bruxa…Com letras versos um universo de letras e tretas, pois ser poeta em Dallas City é barra ou carga pesada…
Viva a trindade…VIVER…AMAR…SER…
Viva o trindade…ESCREVER…LER…VER…
Sumariamente estamos aqui nessa noite pra falar que sim, a fome tá aí, boladona ainda batendo com os nós dos dedos na nossa porta…E sabemos que no pais do futuro o futuro nem é tão “futurístico”assim, enfim…
Abram as cortinas, soltem o verbo, limpem a retina pois o mate tem o prato cheio de poemas e vale a pena ser, amar e viver..
Retornar ao primeiro momento do encantamento de ver algo belo é como comer um prato de feijão com tudo dentro…
E o trem agora grafitado e ainda atrasado nos traz nos trilhos o brilho de estrofes ritmadas… So-la- no-so-la-no-tchatac-thatac…
Libertariamente e abusadamente tomando a porra da praça de assalto com duas magnun 44 de poemas até a ponta…Tipo Taxi Driver correndo contra a insônia sempre lembrando que com amônia causa insônia!!
Sonoro, cáustico e corrosivo, mas leve, lúdico e fugaz mate com angu mata a fome de geral e nem é 1 real, nem pra vc nem pro garotinho…
E tome poesia e filmes goela abaixo porque pra baixo todo “canto” ajuda!!
[slow]
———-
“Quem diria”
5 horas
Já estou acordado
5 e vinte
Caminhando pela rua
À luz da lua
Os braços cruzados ajudam a suportar o frio
Perdi um trem
Tá com fo-me
Tá com fo-me
“Trem com destino à Central do Brasil. 5 e 44, plataforma B”
Lotado
Lembrei de Solano Trindade
Tá com fo-me
Tá com fo-me
Daqui a pouco estou na Central
“Aê! Me vê um pastel e um caldo”
Quem diria
Que seria
Poesia
O dia a dia
Da periferia
[cacau amaral]
———
E o brilho do sol aumenta o devaneio do ácido estomacal violento…
E o trilho do trem treme com o rugido que sai do esôfago para o vento…
E o sucrilho do boy desce pelo ralo aberto do esgoto do apartamento
E a fome da poesia de Solano segue atravessando aqui por dentro…
[slow]
———
e você tem fome de quê?
tem gente com fome
essa gente é você?
eu sinto fome todo dia
de cor, tempero, rima, flor, doce, ponte,
pedal, pedaleira
de sabor, tênis macio, pele macia,
cama quente, roque pesado.
tem dia que tem fome até de dor.
e caminho entre famintos!
ânsias insaciáveis…
antropófagos de nós mesmos. e de chips
e de sonhos, virtuais…
vejo a fome de hoje
no reflexo de ontem.
na bandeja suja dos que comem
sob nossas cabeças, nos oferecem migalhas.
queremos o pote!
se a arte é o que nos nutre,
a cultura o que nos diversifica.
vamos celebrar nessa mesa posta,
vamos nos saciar. e depois, sentir outras fomes,
que nos farão continuar amassando a massa.
fortalecidos. em nossa busca pelo múltiplo e orgânico.
evoé solano trindade.
.[biapimenta]
Publicado por: matecomangu em: julho 26, 2011
Rodrigo Dutra é caxiense de militância e coração. Tem 28 anos, é historiador, poeta, documentarista e pai de Sofia. Lança na próxima quarta o filme mais esperado do ano “O Vento Forte do Levante”, sobre o poeta do povo, Solano Trindade. O Lançamento faz parte da Sessão Tem Gente Com Fome – 9 anos de Mate Com Angu. A expectativa do filme é grande. É tanta, que fez o Mate promover sua tradicional sessão mensal no Teatro Raul Cortez. Noite de Gala, que teima em não chegar. Pra suavizar a espera, um papo franco com Rodrigo Dutra.
Mate Com Angu: Qual é a sua relação com a cidade? Quando as contradições dessa cidade fisgaram seu coração?
Rodrigo Dutra: Minha relação com Caxias é de mulher traída… no caso eu sou a mulher…
Por mais que eu critique os (des)governos, não consigo deixar de amar essa cidade. comecei a me rebelar com uns 15 anos, na UEDC, não parei mais.
MCA: O que Duque de Caxias tem de bom?
Rodrigo: São três coisas que me encantam: as pessoas que conheço, os terreiros de macumba – terreiros igual aqui não existe no Brasil – e as cachoeiras.
MCA: E como se deu o encontro com o Solano?
Rodrigo: Foi ridículo… Eu historiador e não o conhecia. Foi o Antônio da Biblioteca que me apresentou e me cativou a fazer um filme sobre o Solano, ele havia visto os filmes da AnguTV! E como tínhamos estudado juntos na FEUDUC, ele me pilhou.
MCA: A relação deste filme com a Academia?
O debate teórico que eu faço é sobre a relação cinema-história. O historiador é treinado a interpretar documentos escritos e a imagem sempre foi um adereço para a maioria deles. Pretendo escrever a história filmicamente coisa que os historiadores poderiam fazer melhor do que qualquer um, pois tecnicamente são treinados para dar sentido ao passado. Cinema e história se confundem pois as duas trabalham com a idéia de TEMPO e a manipulação deste faz a história e o filme.
MCA: Tudo bem que o Antônio botou a pilha. Mas o que em Solano te mobilizou a ponto de fazer tu se dedicar três anos a esta história?
Rodrigo: Sei lá… me apaixonei pelo cara. Ele foi comunista e se vivesse na nossa contemporaneidade seria um artista multimídia. Essa coisa de paixão não se explica muito.
MCA: Mas o que Solano tem de atual? Porque fazer um filme sobre ele?
Rodrigo: Solano é atual por que está sendo redescoberto por uma juventude carente de identidade. Quem são nossos heróis? Duque de Caxias que não é! Solano é atual por que ainda TEM GENTE COM FOME. E o freio de ar todo autoritário ainda cala o trem.
MCA: O que faz de Solano um herói?
Rodrigo: Acho que o Solano é um herói (sem endeusamento e o filme é bem crítico em relação a isso) por que enquanto negro se inseriu na sociedade capitalista sem se curvar, sem se acomodar, sem se deixar cooptar, morreu na miséria mas/contudo/conquanto/porque escolheu a liberdade.
MCA: E nos dias de hoje, há espaço pra novos heróis?
Rodrigo: Na sociedade pós-moderna? não! Absolutamente. Nossa juventude é egoísta demais “é muita estrela pra pouca constelação”.
MCA: Os historiadores tendem a serem pessimistas e céticos…
Rodrigo: Nossa sociedade caminha para o colapso total. Principalmente em relação ao meio ambiente. Daqui a 100 anos não teremos mais agua para beber. Nosso corpo é 70% água e sem ela não teremos humano. E sem humano, sem história, sem documentos, sem arte, sem nada!!!
MCA: Fazer um filme de forma independente é um ato utópico, quase romântico. Por que se meter nessa aventura? Qual é o papel da arte?
Rodrigo: Por acreditar que só se pode combater as ilusões no terrenos das ilusões. Hoje as questões são mais simbólicas que materiais, então o que quero é fazer contra-hegemonia. Já fui um entusiasta da arte engajada, mas hoje acredito que escolas e ideologias atrapalham o processo criativo, a arte deve ser crítica quando há inspiração, não é legal forçar a barra, pois a catarse também cabe a arte! E se cabe.
MCA: E sobre quarta, quais são as expectativas?
Rodrigo: Bicho, vou estrear no cineclube mais famoso do estado do Rio de Janeiro, minha expectativa é bombar e quem sabe arrumar uma namorada.
MCA: Mate Com Angu, 9 anos…e ai?
E aí que toda essa aventura estética-documental-conceitual iniciou para mim no Mate através da AnguTv! A única coisa que posso dizer é vida longa ao Mate Com Angu para que possamos ver filmes vários e articular a contravenção.
Publicado por: matecomangu em: julho 25, 2011
Gulherme Zani tem 27 anos e é um apaixonado. Seja pelas artes, pelo quotidiano ou por sua profissão na construção civil. Cursa arquitetura por que “é uma arte que engloba todas as outras”. Lança seu primeiro curta, “Expera” na Sessão Tem Gente Com Fome – 9 anos de Mate Com Angu. Vai abrir para o esperadíssimo média-matragem “O Vento Forte do Levante”, de Rodrigo Dutra. Filme sobre a vida e obra do poeta, folclorista, pintor, ator, teatrólogo, cineasta e militante, Solano Trindade.
A Sessão Tem Gente com Fome será no Teatro Raul Cortez.
Quarta-feira, dia 27 de julho, às 19hrs.
Cineclube Mate Com Angu: E esse lance de fazer curta-metragem, como surgiu?
Guilherme: Vontade de fazer algo. Eu acho que muitos começaram por ai. Vontade de fazer algo. No cinema, surgiu com o Mate Com Angu. Comecei no audiovisual com a série AnguTV, participei desde o primeiro até o último e daí….deu nisso. Estou acabando este curta já pensando no próximo. E sem dinheiro de ninguém
MCA: O “Expera” é sobre o que?
GUI: O “Expera” fala sobre um quotidiano conturbado e imposto. O filme narra o climax de um de um ser humano saturado, que não aceita mais qualquer tipo de imposição. Seja social, politica ou moral. Ele quer viver de outra maneira. Daí tem a questão do tempo o tempo que passa e não volta, o tempo que persegue, que enlouquece, que nos contraria…
É baseado num personagem de Bertold Brecht, o Senhor Keuner, Filósofo e conhecedor de muitas questões.
MCA: Mas me explica mió, porque diacho fazer um curta? Essa aventura foda, mas sem sentido prático algum…
GUI: Então…acho que é uma aventura super válida. Eu fiquei 2 anos fazendo este filme, pesquisando e tentando ao máximo expurgar uma série de aflições que me perseguiam antes do filme. Acho que o resultado final foi excelente. Além do mais pra mim, foi super fácil. Tenho uma ideia, tenho uma câmera, tenho um ilha de edição e muitos amigos
MCA: Vamos falar desse modelo de produção. E como foi produzido? Quem compôs o mutirão pra tirar “Expera” do papel?
GUI: É o modelo guerrilha assalto. E observo que entra uma outra palavra nisso aí: Tempo. Guerrilha, assalto, tempo! O tempo é essencial, a luta contra ele. Todos os amigos agora trabalham, estudam, namoram, e fazem suas coisas que não são poucas. Daí a necessidade de desenrolar o tempinho de um aqui, de um ali e ir montando. O “Expera” é a cara disso. Rodrigo Dutra e eu fotografamos, Marcio Bertoni esta editando comigo, Pablo Pablo fez os Créditos, o Tubarão atuou, a Dani Francisco preparou o elenco, o Igor Barradas emprestou seu mac para a finalização. O Henrique finalizou o som, a Tanimar e a Dani Francisco fizeram still, o Amenduim fez o boom….e assim sai do forno digital um novo curta.
MCA: E pra quarta agora. Dia de Estreia Mundial. Qual é a expectativa?
GUI: Muita, é a apresentação deste trabalho que demorou 2 anos e saiu com 9 minutos.
MCA: 9 minutos, 9 anos.
GUI: hum….legal hem. Esse filme é bruxaria desde o início…hehehe.
MCA: cinema é bruxaria?
GUI: Sim, sim. Muitas vezes é bruxaria, quantos cortes no “Expera” estão enfeitiçados? Nunca se sabe!!
MCA: O Cineclube Mate Com Angu, fazendo nove anos – fale um pouco sobre isso.
GUI: Maravilhoso…A guerrilha está ativa e mais viva do que nunca! Muitos anos e filmes virão!
FICHA TÉCNICA - EXPERA
Direção – Guilherme Zani / Em cena – Tubarão / Preparação de elenco – Dani Francisco / Edição – Guilherme Zani, Márcio Bertoni / Fotografia – Guilherme Zani, Rodrigo Dutra, Márcio Bertoni / Som direto – Marcelo Amenduim / Finalização de Som – Henrique Brandão / Still – Tanimar Silva, Dani Francisco / Produção – Terreiro de Idéias, Angutv / Finalização – Márcio Bertoni.
TRAILER “EXPERA” de Guilherme Zani
Publicado por: matecomangu em: julho 25, 2011
Vinheta da sessão Tem Gente com Fome e mais um texto pra inspirar!
e você tem fome de que?
tem gente com fome
essa gente é você?
eu sinto fome todo dia
de cor, tempero, rima, flor, doce, ponte,
pedal, pedaleira
de sabor, tênis macio, pele macia,
cama quente, roque pesado.
tem dia que tem fome até de dor.
e caminho entre famintos!
ânsias insaciáveis…
antropófagos de nós mesmos. e de chips
e de sonhos, virtuais…
vejo a fome de hoje
no reflexo de ontem.
na bandeja suja dos que comem
sob nossas cabeças, nos oferecem migalhas.
queremos o pote!
se a arte é o que nos nutre,
a cultura o que nos diversifica.
vamos celebrar nessa mesa posta,
vamos nos saciar. e depois, sentir outras fomes,
que nos farão continuar amassando a massa.
fortalecidos. em nossa busca pelo múltiplo e orgânico.
evoé solano trindade.
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biabovary@gmail.com
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